Review 2019: #01 – Pledge

E foi dada a largada!


Aqui na redação do 101HM minha crítica de Uncaged figura entre as mais estimadas, dado o alto teor de agressividade em minhas palavras direcionadas ao filme e aos envolvidos. Confesso que me excedi tamanho o ódio por ter perdido tempo assistindo tal atrocidade. Não gosto nem de lembrar!

Eis que o primeiro filme de terror de 2019 surge das mãos do mesmo cineasta, Daniel Robbins, com algumas figurinhas repetidas no elenco e na equipe. Felizmente essa informação só chegou até mim após ter assistido Pledge, caso contrário teria passado a bola para algum colega, por medo de ter uma experiência tão traumatizante quanto aquela fita de lobisomens. O rapazote mereceu uma segunda chance e demonstrou muita melhora. Um detalhezinho importante: Pledge foi exibido em alguns poucos festivais ano passado, mas o lançamento oficial foi em 2019.

Logo de cara fica perceptível a tentativa de reproduzir o estilo de comédia besteirol de Superbad – É Hoje. Porém, ao contrário do que acontece lá em Uncaged, isso funciona um pouco melhor graças aos atores Phillip Andre Botello e Zachery Byrd que são carismáticos o suficiente para que seus personagens sejam vergonhosos, mas relacionáveis. Infelizmente Zack Weiner, uma das piores partes do longa anterior de Robbins retorna não apenas como ator, mas também roteirista. Weiner é o terceiro membro desse grupo formado por Byrd e Botello e sem dúvidas o pior. É impossível distinguir sua atuação de um personagem completamente alombrado, de um ator horroroso.

Apresentado o trio de esquisitões, a história se desenrola sem muita enrolação ou falcatrua – são somente 77 minutos de filme – tudo muito dinâmico, simples e divertido. No melhor estilo O Albergue, o trio é selecionado por belas mulheres a participar de uma festa em uma fraternidade pouco conhecida. A ideia de mulherada e álcool gratuito faz com que a galera se jogue de cabeça no rolê sem pensar duas vezes.

Fraternidades é coisa de americano, como bem vimos ao longo dos anos na renomada franquia American Pie. Basicamente se trata de uma bela desculpa para transar, beber e usar droga em bando. Pra adentrar nas frats mais badaladas, os candidatos precisam passar por provações diversas, chamadas de pledge, algo na linha de um juramento, que muito se assemelha aos trotes e ao primeiro ano de calouros em faculdades e repúblicas de estudantes aqui no Brasil. Ou seja, os alunos devem se submeter a uma série de humilhações físicas e morais ultrajantes caso queiram participar daquele movimento. E tem muito bobo interessado…

Depois de se esbaldar em pegação e bebedeira numa puta festa nessa fraternidade às escondidas, o trio de panacas resolve fazer a pledge. E é aí que a coisa desanda de vez. O nível de “HUMILHAMENTO” a que eles são submetidos ultrapassa os limites éticos e morais, mas os protagonistas, paspalhos que são, permanecem à mercê daqueles estudantes mais velhos doentes e pervertidos até que seja tarde demais.

Os trotes vão degringolando até ficar claro de que ninguém vai entrar pra fraternidade alguma. O nível de tortura varia em graus de nojeira e violência que me remeteram a filmes como Would You Rather, Cheap Thrills e 13 – Game of Death. Não há nada particularmente memorável no filme, que o faça se sobressair frente esses outros títulos. Mas ele funciona bem o suficiente para nos prender até o fim, especialmente pelo dinamismo e pela curiosidade em entender o real propósito de toda aquela tortura.

O ano de 2019 chega com a baita responsa de dar seguimento ao brilhantismo cinematográfico do horror em 2018. Pledge não é nada demais e nem vai figurar entre os mais memoráveis. Mas verdade seja dita, raramente o primeiro do ano presta – só de lembrar que um ano atrás eu escrevia sobre o remake Day of the Dead: Bloodline, dá vontade de chorar.  Dito isso, considerando que o filme da vez é assistível e até divertido em todo seu besteirol, já considero ser um bom sinal!

3 ratazanas esfomeadas para Pledge

Vamos assistir ‘Uncaged’, que mal pode ter?

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Formado em psicologia, professor, futuro roteirista e fã incondicional do terror, tanto no cinema, quanto na TV, literatura e quadrinhos. Mais que estudar o gênero, quer ser um historiador do horror para sua geração e futuras. E ao contrário do estereótipo do mineiro quieto, adora alimentar uma treta.

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