Review 2019: #09 – A Morte Te Dá Parabéns 2

E eu dou parabéns para Christopher Landon, Jason Blum e sua turma!


Certamente A Morte Te Dá Parabéns foi uma das maiores surpresas de 2017. Em um momento em que a fama da Blumhouse a precedia, tanto no bom quanto no mal sentido – pós lançamento de Fragmentado e Corra!, mas ainda assim com aquele gosto ruim na boca devido a tantas produções de baixo calibre – eu dei o total de ZERO atenções a esse filme em seu lançamento.

Até que de repente o burburinho e as críticas positivas usando termos como “honesto” e “divertido” começaram a pipocar, muitos amigos gostando, e despertou minha curiosidade.

Pois bem, ao conferir a fita dirigida por Christopher Landon e escrita pelo roteirista de quadrinhos Scott Lobdell – que logo me remeteu aos quadrinhos dos X-Men dos 90’s – e produzida pelo Midas, Jason Blum, cheguei a essa mesma conclusão sobre a honestidade e a diversão, principalmente no que tange a paródia aos slasher movies e suas reviravoltas rocambolescas e a dezenas de inspirações e referências da dupla de realizadores, passando de Pânico (por conta do Baby Face Killer – para mim já no panteão do horror desses anos 2010) a Feitiço do Tempo, a mais óbvia, e até citada em seu final.

Porém, contudo, todavia, entretanto, ao terminar A Morte Te Dá Parabéns eu fiquei com aquela sensação de que ele não se aprofunda nem tanto no terror, violência e no lado slasher da coisa (motivo mais que óbvio pensando no público alvo jovem) quanto no humor. Digamos que ele fica meio em cima do muro. Na sequência que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta, Landon abraça a comédia de uma vez por todas.

Cheerleader

Por isso eu cravo aqui sem medo de ser leviano que gostei mais de A Morte Te Dá Parabéns 2 do que do primeiro longa. E confesso: há muito, mas muuuuito tempo eu não dava tanta risada e me divertia tanto com um filme. Puxando aqui pela memória das comédias de horror, talvez fora quando vi O Que Fazemos nas Sombras pela primeira vez.

Landon abraça de vez o ridículo e o escracho, enquanto deixa a paródia do terror de lado para focar dessa vez na ficção científica – mesmo mantendo a figura do Baby Face Killer – tendo dessa vez como referências escancaradas De Volta Para o Futuro 2 e 12:01, um filme obscuro com o carimbo Supercine, lançado no mesmo ano de Feitiço do Tempo e ofuscado pelo filme estrelado por Bill Murray, com a igual proposta de um sujeito vivendo o mesmo dia em loop, por conta do uso de uma máquina de energia que altera o espaço tempo contínuo.

Aliás, ambos citados no longa: o filme de Marty McFly por Carter, e o horário em que a máquina dispara o pulso de energia que causou uma rachadura no tempo e abriu a brecha para um multiverso, exatamente meia-noite e um.

Falando em Carter, todo o elenco e time do primeiro filme estão de volta, e vale destacar, e muito, a INCRÍVEL atuação de Jessica Rothe como Tree, que já era maravilhosa no primeiro filme, mas aqui sobe um degrau, principalmente quando se vê presa a reviver mais uma vez os acontecimentos do fatídico dia 18 de setembro, o qual ela achou já ter se livrado de uma vez por todas.

Tree, dona da porra toda!

Jogar a personagem em uma outra dimensão em que os acontecimentos e personagens não são aqueles que já nos familiarizamos, é uma sacada genial. Aliás, parece que o conceito de multiverso e da necessidade de você dar um “leap of faith” para conseguir sair de uma situação empacada e acreditar em si mesmo, parece estar em voga em Hollywood, e quem viu Homem-Aranha no Aranhaverso sabe MUITO BEM do que eu estou falando.

Como possíveis pontos baixos: a atuação terrível de Israel Broussard, que fica mais evidente devido a sua maior participação (que o meu colega Makson Lima batizou de “clone do Rodrigo Faro”); maior assepsia, pois temos bem menos terror/suspense/mortes/sangue que o primeiro filme; e um dramalhão com relação a escolhas, muito das cafonas e arrastadas, substituindo a lição de moral do primeiro que era basicamente “torne-se uma pessoa melhor”.

Mas nada que as situações cômicas capitaneadas por Tree – MARAVILHOSA a cada frame – a excelente direção de Landon, a ideia de não apenas repetindo o primeiro filme e apenas aumentar a contagem de cadáveres, como é da cartilha dos slasher movies, mudando o foco completamente, e o timing cômico das esquetes (as cenas de suicídio ao som de “Hard Times” são IM-PA-GÁ-VEIS) não consigam superar.

A Morte Te Dá Parabéns 2 tem tudo para repetir o sucesso do primeiro e até agradar ainda mais o público geral e adolescentes que frequentam os cinemas no grosso, tendo em vista que o primeiro já foi capaz de levar mais de um milhão de espectadores para as salas aqui do Brasil, o que é gente a beça para o gênero. Ou seja, mais uma bola dentro de Jason Blum.

E ah, fiquem ligados que tem cena pós-crédito, então dá uma segurada na cadeira quando o filme terminar.

3,5 músicas do Paramore para A Morte Te Dá Parabéns 2

Kill baby… Kill!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: