Review 2019: #14 – A Maldição da Chorona

Com o perdão do trocadilho, é de chorar mesmo…


Olha, nem sei mais se há o que falar sobre a fórmula clichê e esquemática do tal Conjuringverso do James Wan. Nessa altura do campeonato, inspirado pelo famoso “está tudo conectado” do Universo Cinemático da Marvel, depois de dois Invocação do Mal, dois Annabelle, e um A Freira, a gente já sabe, de cabo a rabo, o que esperar de um filme como A Maldição da Chorona. Para o bem ou para o mal.

Na verdade, a gente já consegue cantar a bola do filme inteiro desde o trailer, desde que você lê em letras garrafais na campanha promocional de marketing e no pôster que é do PRODUTOR JAMES WAN ou do MESMO UNIVERSO DE INVOCAÇÃO DO MAL.

Aquele terror formulaico, repetitivo, nada original ou inspirado, cheio de jumpscare por metro quadrado, trilha sonora pasteurizada, mensagem irritantemente carola e um terceiro ato espetaculoso de confronto com o encosto da vez, que pode ser uma boneca, um capiroto, uma freira ou uma lenda folclórica mexicana, extremamente popular no país latino, que já deu as caras até em episódio do Chaves dos espíritos zombeteiros.

Sabe o tal do “VIU UM, VIU TODOS”? Pois é, desde o primeiro – e ótimo, diga-se de passagem – Invocação do Mal, absolutamente NADA de novo ou minimamente interessante é nos entregue nesse consolidado universo do terror mainstream que a Warner lança todo santo ano, sempre faturando caminhões de dinheiro com a franquia.

A Freira, por exemplo, foi a maior bilheteria do gênero no país, faturando R$ 63 milhões, superando It: A Coisa e, vejam só, os dois Annabelle, segundo, terceiro e quarto lugares, respectivamente. E também o filme mais pesquisado no Google no Brasil ano passado. Creio em Deus pai…

Então, como diz o poeta, time que está ganhando não se mexe? Tome mais um terrorzão pipoca sobrenatural com pegada cristã mega conservadora, com fantasma feito, ora de CGI, ora de maquiagem de cosplay, e um sem número de cenas com uma aparição brusca seguida de estouro do som no último volume.

Tipo fantasia de festa de Halloween ruim…

Tudo para culminar num terceiro ato aventuresco, recheado de efeitos visuais para o combate à maledicência, usando um padre, ou curandeiro chicano, ou casal charlatão caça-fantasmas, tanto faz, que usará algum gimmick manjado ou artefato, ou saída fácil qualquer para acabar com todos os problemas da pobre família atormentada. E dá-lhe chavões, câmera lenta, frases de efeito e alívio cômico.

E sabe o mais triste? Como em outro filmes do Conjuringverso, tipo Invocação do Mal 2, Annabelle 2 – A Criação do Mal ou mesmo A Freira, um potencial gigantesco é desperdiçado, tanto de história, quanto de atuação, de design de produção, de trilha sonora, de criação de atmosfera, de ambientação, para A Maldição da Chorona ser um produto completamente enlatado, que infelizmente, agrada – e muito, os números não deixam mentir – esse público médio que consome o terror de cinema nos dias de hoje.

Quer saber como jogar na lata do lixo um filme que traga o mais famoso caso de Poltergeist da Inglaterra, uma história sobrenatural envolvendo uma boneca em um orfanato isolado, uma presença demoníaca em um convento na Romênia onde freiras vivem em clausura, ou o espírito de uma mulher amaldiçoada arrependida que surge chorando após ter se matado logo depois de ter afogado os dois filhos?

Pergunte a James Wan e sua turma.

E é isso o que cabe em uma resenha sobre A Maldição da Chorona. E quando estrear Annabelle 3 – De Volta Para Casa, que chega aos cinemas ainda esse ano, é só eu dar CTRL C + CTRL V nessa crítica, que aposto dinheiros desde já que vai seguir exatamente a mesma cartilha preguiçosa.

Melhor você fazer como o Chaves, e ir assistir ao filme do Pelé. Ou do Peele…

1,5 lágrimas ácidas para A Maldição da Chorona

Manda uma reza aí brava, padre. Porque esse Conjuringverso tá osso de ruim!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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