Review 2019: #5 – Psychopaths

O mal na sua essência carnal


Mickey Keating, o pupilo de Larry Fessenden (se assim posso chamá-lo), é um dos nomes mais indies do horror americano. E ele usa este posto para colocar em prática a realização de seus filmes com a maior liberdade possível, alternando suas temáticas para os mais variados níveis de terror que poderíamos imaginar. E seu último longa traz à tona a loucura, insanidade, perversidade e proliferação do mal.

Psychopaths conta a história de um assassino condenado (vivido por Fessenden) que, prestes a ser executado por seus terríveis crimes, profetiza que o caos se iniciará assim que ele morrer, espalhando sua alma a todo lunático que deseja matar ou torturar alguém, seja por diversão ou vocação. Assim, a cidade de Los Angeles seria tomada não por um psicopata, mas muitos.

Assim, somos introduzidos a conhecer O Estrangulador, um homem bem apessoado que adora pescoços femininos; uma paciente fugitiva de um manicômio que sonha com o estrelato e uma família perfeita; a vizinha loira e sensual que guarda em seu cômodo escuro um segredo sádico; um policial truculento e violento que adora se sentir no poder; e um assassino de aluguel que usa máscaras para esconder seu horrível rosto.

Apesar do plot ser simples, o filme prende o expectador a desdobramentos que nos fazem entender melhor a motivação de cada louco solto nas rua. Mas o destaque novamente vai para a já considerada “queridinha” de Keating, a lindíssima, musa e maravilhosa Ashley Bell. Em sua segunda colaboração – a primeira foi em Carnage Park -, aqui ela entrega uma visceral representação de uma fugitiva do hospital psiquiátrico, alternando entre a loucura e insanidade, amável e odiosa, carismática e diabólica. Só ver seus tiques conversando com ela mesma em seu reflexo no espelho.

Linda porém mortal

Como já não é nenhuma novidade, a relação com os throwbacks aqui também está presente, mais especificamente na estética, cores e trilha sonora do que na relação tempo-espaço. Cores vibrantes, sintetizadores e uma alta dose de violência fazem deste exemplar um longa que te diverte, mesmo que não  proponha nada mais que isso. E talvez este seja o maior problema…

Acompanho a carreira de Keating desde o começo com O Ritual, um daqueles filmes que foram patrocinado pelo After Dark Festival, e de lá pra cá o diretor parece ter se especializado em prender a atenção de quem assiste seus longas em pequenos sets ou lugares específicos. Seja em seu primeiro longa ou em POD e Darling, com exceção de Carnage Park, a trama sempre se desenvolve em espaços pequenos, seja em quartos de hotéis de beira de estrada, choupanas no meio do mato ou apartamentos meio tenebrosos. Em Psychopaths ele expande um pouco o território no qual o espectador acompanhará sua história, mas ainda assim é pouco para os fãs do “mundo aberto”, sabe? Ainda espero e torço pra que Keating repita e explore as belezas ou imperfeições do mundo afora, assim como em seu longa anterior e toda aquela vastidão da terra árida e um sniper sabe-se lá onde.

Assinando também a produção e roteiro além da direção, Keating já se mostra bem familiarizado com a vida de cineasta indie: sem pressão, sem cobrança e com total liberdade criativa para que faça o que bem entender. Psychopaths segue bem a linha do cinema alternativo beirando o marginal, que acaba se tornando de nicho e restringindo seu público. Seja bom ou ruim a escolha, verdade é que até o momento sua carreira vem seguindo uma linha bem segura, apresentando bons filmes e mantendo sua filmografia bem vista até então. Tomara que um convite de Hollywood não coloque tudo a perder.

Sonho mesmo seria ver Graham Skipper (Sequence Break), Joe Begos (The Mind’s Eye), Jackson Stewart (The Devil’s Gate) e Mickey Keating numa antologia, onde posso destacar estes nomes como grandes expoentes do terror da atualidade, mesmo que pouco conhecidos. Se até lá meu sonho não se tornar realidade, aproveite toda a loucura que Psychopaths lhe traz, porém cuidado: o mal pode estar à sua espreita e transbordar de quem menos espera.

3,5 barbáries para Psychopaths

A carinha de anjo não nega


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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