Review 2019: #07 – Escape Room

Filme divertidinho, apenas…


Se em tempos idos a diversão dos jovens era ir nas matinês dançar uma música eletrônica, hoje mais do que nunca o medo está na moda. Em todos os tipos de mídias de entretenimento podemos destacar o gênero fantástico: cinema, literatura, quadrinhos, TV, teatro e nos chamados escape rooms, onde os jogadores são trancafiados em salas com variados temas e puzzles a serem resolvidos para conseguirem sair em um determinado tempo cronometrado.

Aqui no Brasil essas salinhas estão ganhando cada vez mais espaço com as temáticas que vão desde a vila do Chaves até locais escuros e assustadores, e no mundo este “divertimento” já está consolidado. E como Hollywood, de besta não tem nada, já era hora que alguma produtora desenvolvesse um jogo mortal em forma de filme, correto?

Escape Room, dirigido por Adam Robitel (o mesmo de A Possessão de Deborah Logan e Sobrenatural: A Última Chave) chega com a proposta simples à lá Jogos Mortais: Seis pessoas aparentemente aleatórias recebem uma caixinha preta cada com um convite para participar da tal jogatina da sala, porém para o ganhador será concedido um prêmio de 10 mil dólares (em tempos milionários, o prêmio é bem singelo, não?!). Claro que chegando lá, os participantes descobrem que não é só um jogo e que o buraco é mais fundo…

Bom, vamos ao pontos fortes do longa: a direção de Robitel é precisa e segura, visando retirar o máximo de sentimentos do espectador. Falo isso pois foi muito legal acompanhar o filme na pré estreia, onde pude perceber a aflição e angústia de todos no cinema, e se houve essa recepção, de uma forma ou de outra, o longa alcançou seu objetivo.

E a gente só queria tomar uma breja

Os escape rooms em sua maioria são bem montados com quebra-cabeças inerentes a cada personagem e isso fica evidente desde a primeira, a sala do forno humano. Porém, as dificuldades variam muito e se, em algumas os participantes penam para conseguirem prosseguir, em outras a facilidade na resolução do problema chega até a ser juvenil. Mas, na sua maioria, a cenografia e montagem dos ambientes mortais são satisfatórias e este pequeno defeito passa despercebido pela maioria.

Creio que o grande problema de Escape Room seja em seu roteiro. Escrito por Bragi Schut e Maria Melnik, respectivamente responsáveis por Caça às Bruxas e a série Deuses Americanos, a história peca, e, demais ao tentar explicar muito determinados backgrounds sobre as personagens envolvidas, além dos furos no roteiro inexplicáveis e a sensação de situações extremamente controladas. **ALERTA DE SPOILER. CASO NÃO TENHA VISTO O FILME, PULE PARA O PRÓXIMO PARÁGRAFO**. Por exemplo, como o Mestre dos Jogos saberia a canção que Ben e seus amigos cantavam pouco antes de se acidentarem no trânsito, sendo ele o único sobrevivente? Seria WooTan Yu onipresente?!

As atuações são condizentes com o longa e não comprometem nem elevam o resultado final, sendo o rosto mais conhecido o de Deborah Ann Woll, das séries Demolidor e True Blood e Tyler Labine do escrachado Tucker e Dale Contra o Mal. O que me incomodou mesmo foi a atuação deveras overrated de Jay Ellis interpretando Jason, que me pareceu um pouco forçado demais. Ou talvez tenha sido uma fórmula do roteiro raso que segue a cartilha da necessidade de um “esquentadinho” e “insensível” em meio aos participantes dos jogos.

As comparações com Jogos Mortais, Cubo e O Albergue 3 me vieram à mente instantaneamente, cada um com sua pequena parcela de colaboração na obra de Robitel. Mais especificamente falando sobre a tramóia planejada pelo Mestre dos Jogos num prédio gigante no meio da cidade me lembrou e muito O Colecionador de Corpos 2, onde o Colecionador também conseguiu montar um esquema de morte coletiva dentro de uma balada onde ninguém percebeu. Palmas para ambos, mestres da engenharia invisível moderna!

Defeitos de roteiro à parte, no final das contas Escape Room se mostra divertido para se ver no cinema, de forma bem despretensiosa. Até porque até então ele já rendeu aproximadamente 97 milhões de dólares ao redor do mundo, tendo gasto ralos nove milhões de orçamento. Junta-se as verdinhas com o final aberto para uma possível sequência e boom, habemus uma nova franquia de terror?

Só o tempo nos dirá. Até lá, torço para que Robitel, com este sucesso, tenha carta branca para realizar uma obra mais digna de seu talento.

3 chaves tetra para Escape Room

Afaste-me dos clichês!


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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