Review 2017: #31 – Don’t Hang Up

Terror adolescente que não entrega nada além do previsto


Lá nos anos 80, filmes com o propósito de apenas entreter eram muito mais comuns do que hoje em dia. Talvez pela época divertida – todos que conheço que viveram naqueles idos dizem que foi demais! -, talvez pelo período menos sombrio comparado ao que vivemos atualmente. Mas, será que nesta fase atual do mundo, filmes com de terror com o objetivo apenas de divertir e te entreter ainda tem espaço?

A dupla de diretores Damien Macé e Alexis Wajsbrot, responsáveis pelo ótimo curta Red Balloon, acreditam que sim, por isso o filme Don’t Hang Up, ou em tradução literal, “Não Desligue”. Na trama, um trio de jovens bêbados resolveram passar um trote (ah, saudades!) para uma vítima qualquer e, apesar de aparentemente a brincadeira passar dos limites, eles pegam gosto pela coisa e começam a, corriqueiramente, repetir a chacota com várias pessoas, até o dia em que a magia se volta contra os feiticeiros e eles se tornam vítimas de seu próprio jogo, agora mortal.

O background dos diretores são trabalhos realizados no departamento técnico, mais especificamente nos efeitos especiais. Longas como Hannibal – A Origem do Mal, Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, O Lobisomem e os mais recentes Gravidade, A Lenda de Tarzan e Doutor Estranho são algumas obras dos quais eles participaram de uma forma ou de outra, e isso é ótimo para a estrutura e narrativa de Don’t Hang Up. Por sempre estarem por trás das câmeras, com certeza viram e anotaram todos os detalhes para que pudessem encaixar em seu primeiro longa, e o resultado é satisfatório. Em questões técnicas, o filme não deixa entediado e em alguns momentos enche os olhos com algumas belas tomadas e momentos de tensão. Mas, um filme não se sustenta apenas com isso…

Você acredita que é à longa distância e à cobrar DE NOVO?!

Você acredita que é à longa distância e à cobrar DE NOVO?!

Nada é perfeito, e neste caso em específico o roteiro é fraco, mirabolante demais e beira o fantástico, com certeza. Joe Johnson – também estreante – parece ter viajado muito enquanto escrevia este espalhafatoso roteiro. Em alguns momentos eu, você e qualquer pessoa se pergunta: “mas como é possível?!” e acredite, aqui com certeza é! Além de uma história pífia e até bem previsível, ainda atrapalha as atuações bem rasas e limitadas. Depois que se entende a proposta do filme e na maior boa vontade se limita a vê-lo sem pretensão nenhuma, ele acaba apenas como  mediano e esquecível.

Don’t Hang Up parece ter essa proposta única de entreter seu público, pois de resto é tão inepto que em nenhum momento pode se levar a sério. Sabe aquele famoso ditado do “chove não molha”? Aqui cabe perfeitamente.

O balanço da ótima cinematografia com o resto do longa te entrega um final digno e uma experiência satisfatória naquilo que propõe, desde que esteja no mood certo para vê-lo com boas intenções.

3 ligações a cobrar para Don’t Hang Up

Nos preparando para a pegadinha do João Kléber

Nos preparando para a pegadinha do João Kléber


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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