TBT #12 – Garotos Perdidos – A Tribo / Garotos Perdidos 3

Certos filmes não deveriam COGITAR continuações, não é mesmo?


Os Garotos Perdidos é um clássico e ponto. Um dos maiores representantes dos anos 80, como bem explanou a nossa Lady das Trevas, Niia Silveira, em seu ótimo texto, o longa também espelhou muito bem aquela ótima década e sua juventude, tudo com muita rebeldia e liberdade. Agora, seria realmente necessário forçar uma continuação depois de mais de vinte anos? E se já não bastasse, DUAS?!

A Warner Premiere, uma divisão da gigantesca empresa dos irmãos Yakko, para filmes mais baratos e também especializada em continuações no mínimo duvidosas, desde sua fundação lá em 2006, já se mostrou picareta-mor com seus lançamentos direto-para-o- vídeo. Para começar, logo em sua terceira empreitada lançaram a bomba De Volta à Casa da Colina, onde nem o Jeffrey Combs salva. Não contentes, lançam em 2008 um filme chamado Garotos Perdidos – A Tribo e dois anos depois Garotos Perdidos 3. É aí que a gente conversa…

Não entendo a ideia de uma grande produtora bancar um filme destes, just for fun, provavelmente. Dirigido por P.J. Pesce, o “Rei das continuações” (Um Drink no Inferno 3, O Atirador 3, A Última Cartada 2, e por aí vai…), a primeira sequência ainda conta com o retorno de Corey Feldman como o famoso Edgar Frog e Angus Sutherland (coincidência? Acho que não!) como o chefe do clã de vampiros surfistas (?!?!) que, com toda a sua rebeldia, fazem festas regadas a nudez gratuita, drogas, músicas psicodélicas e é claro, muito sangue. É lógico que todos os clichês possíveis aqui estarão presentes: piadinhas safardanas sem graça, atuações risíveis, amor platônico, sedução, blá blá blá…

Pesce ainda teve as manhas de chamar a lenda, Tom Savini, para dar o ar da graça em seu filme e pior, teve ainda a audácia de matá-lo! Poxa, o melhor personagem é alguém que aparece por cinco minutos em cena. Só de ver o bigodudo dando uma de valentão vale o filme, ou seja, veja até os créditos iniciais que é até onde o filme todo vale.

Garotos geração perdida

A película foi uma tentativa pífia de reproduzir, interpretar e representar os millennials, com toda a sua fúria e rebeldia, mas de forma muito chula e pobre, fazendo com que o filme caia no esquecimento facilmente. Ver os minutos finais onde o Edgar Frog dá uma de Rambo com direito até a faixinha é de matar…

La terza parte é, infelizmente, mais do mesmo. Garotos Perdidos 3 é ainda pior e nem com a volta de Jamison Newlander como o outro dos irmãos Frog, o Alan, salva. O apelo à nostalgia falha de modo drástico e a direção de Dario Piana é burocrática e as piadinhas, cenas de ação forçadas, mulheres, músicas, raves, blá blá blá está tudo lá, de novo. O filme foca na relação e luta dos irmãos Frog contra os sanguessugas, e não há empatia nenhuma deles conosco. Tem até uma tentativa de copiar cenas de Blade, com lutas em baladas cheias de luzes, neon, grades… Enfim, vergonha alheia total…

Este filme, assim como seu antecessor, pelo menos faz bom uso de alguns poucos efeitos práticos mesclados com algum CGI barato e de qualidade duvidável. As atuações canastronas dos irmãos Frog te transportam à um filme B dos anos 60/70, onde as situações e atitudes não condizem com a realidade, sabe? Mas há filmes nitidamente trash que são tão ruins que chegam a ser bons. Infelizmente esta duologia não consegue este feito.

Era melhor que os garotos continuassem perdidos nos anos 80, pois esta transposição para os anos 2000 realmente não funcionou…

Que fase, hein, Corey?


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *