TBT #16 – Escola Noturna

Um slasher a italiana!


A massificação do terror nos EUA se deu nos anos 80 e aquela horda de produções empurradas goelas abaixo para os fãs z com que muitos filmes fossem ofuscados por grandes produções, ou pela grande quantidade mesmo.

Os slasher movies eram a grande sensação daquela década. Influenciados em sua grande maioria pelos gialli que já haviam chocado o mundo com sua grande quantidade de sangue, violência e alta contagem de corpos, o slasher ainda assim tinham um frescor e um quê americano de inovação e singularidade, principalmente nas mortes. Traziam elaboradas armadilhas, outras mirabolantes, e ainda algumas inimagináveis que desafiam algumas leis naturais – chupa Newton!

Mesmo com a individualidade de cada país exposta em seus filmes, algumas produções americanas ainda declararam seu amor à seus ítalo-irmãos e elementos clássicos do giallo eram vistos aqui ou acolá, como o assassino com suas luvas negras, a troca da narrativa da terceira para primeira pessoa prestes a cometer alguma atrocidade, o uso de facas… Escola Noturna é um destes exemplos que bebe diretamente da fonte de sangue da Terra da Bota.

O filme possui um tema bem simples, e que não é novidade para ninguém habituado com o fantástico: um desconhecido começa a decapitar mulheres residentes de uma escola noturna para garotas. Por quê? Quem seria? Mais clichê e singela premissa impossível, haja em vista que estamos falando de um subgênero do terror onde normalmente o roteiro não era lá muito desenvolvido e, o que enchia os olhos do pessoal era a violência gráfica explícita. Mas se tratando especificamente deste filme, as coisas mudam um pouco de rumo…

Deixa eu me apressar que tá na hora do BBB!

Como falei, Escola Noturna tem similaridades com os giallo e parece que a intenção de Ken Hughes – diretor deste que seria seu último trabalho em vida – era realmente declarar seu amor aos predecessores europeus. Algumas das pistas deixadas pela trilha de vítimas: as mortes certas vezes vistas pelo prisma do assassino; o uso da faca como sua principal arma; a polícia banana que não resolve nada; as luvas pretas de couro e claro, as decapitações. Essa característica em especial todo diretor italiano já usou em seus filmes, não? Vamos relembrar Dario Argento, Lucio Fulci, Mario Bava e tantos outros que adoravam fazer alguém perder a cabeça!

As clássicas cenas que devem, e fazem parte de ambos estilos, estão presentes também: diálogos sem nexo, cenas de sexo, nudez, mortes elaboradas, plot twist final… Ainda há espaço para algumas explicações sobre tribos escondidas nos confins do mundo, um garanhão e uma ousada inclusão homossexual no contexto da história onde se vê, na verdade,  um sujo falando do mal lavado. Louvável a coragem de Hughes em abordar algo que ainda hoje é tabu, e de forma que não fosse jogado em tela para chocar a audiência.

Como nem tudo são flores, creio que um único detalhe não faça deste filme um clássico não reconhecido em seu tempo: gore. Quando se fala em slasher ou giallo, a primeira coisa que se vem à mente é o banho de sangue, as mortes viscerais, os efeitos práticos… Enfim, aqui se faz falta disso e a violência é totalmente offscreen.

Escola Noturna funciona como um ótimo divertimento e passatempo para quem procura filmes antigos pouco conhecidos, como A Hora das Sombras, Horário de Visitas, Hospital Massacre e outros tantos slasher movies lançados na década de 80 e pérolas que felizmente estão sendo redescobertas hoje,além de também ser uma carta de amor e respeito à Itália e seus predecessores.

Poxa, quem foi que de novo deixou uma cabeça na privada?!


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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