TBT#08 – Alien 2

O rip off italiano picareta de Alien, o Oitavo Passageiro


Em sua vida, com certeza já se deparou com filmes péssimos, regulares, bons, ótimos, excelentes e clássicos, correto? Mas talvez o fundo do poço você nunca tenha chegado, onde  péssimo ainda é elogio.Os populares e famosos filmes trash são aqueles tipos de longas que vemos de forma despretensiosa, mas que no final ele te entrega o proposto: diversão sem um pingo de seriedade. Você assiste já sabendo que é ruim, mas também sabe que ele vai ter alguma característica de que goste, ou algum roteiro tão inusitado que o fará ver até final só para ser testemunha para até que ponto o fajuto filme o levará. Provavelmente, ao término da fita, você exclamará: nossa, é ruim mas é bom!

Mas imagine a seguinte situação: o ano é 1980 e apenas um ano após o clássico sci-fi com terror espacial Alien – O Oitavo Passageiro conquistar fãs ao redor do globo  e aterrorizar geral , você passa em frente ao cinema e vê um cartaz com a chamada para o filme Alien 2. “Oba, é nesse que vou embarcar e ver uma continuação supimpa para esta fita” você pensa entusiasmado, mas como diria o filósofo Pica-Pau: “você foi tapeado”. Eis que dá de cara com uma das obras mais picaretas e nonsense do cinema italiano e fantástico, o exuberante Alien 2: Sulla Terra.

Em tradução literal, “Alien 2: Na Terra” simplesmente não tem NADA A VER com o clássico seminal de Ridley Scott. “E por que colocaram este nome?” você me pergunta e eu respondo: pra ganhar dinheiro na base da falcatrua como os italianos sabem fazer de melhor, oras! Este rip-off ordinário do diretor Ciro Ippolito (mas que assina como pseudônimo Sam Cromwell) nada mais é que um filme trash dos pesados. Se você acha que já viu algum filme ruim é porque não viu este, com certeza. Eu o compararia facilmente a Troll 2 – que também é um rip-off não-oficial do já ruim Troll – O Mundo do Espanto – ou O Retorno do Inominável, se é que você já teve coragem de assistir algum destas fantásticas obras da sétima arte. Resumindo: filmes como este é realmente o mais baixo que se pode chegar.

A  história gira em torno de um grupo de amigos exploradores de cavernas que se depara com umas pedras azuis e maleáveis que na verdade são alienígenas e matam pessoas das mais diversas formas. Não, não são os aerolitos do Chapolin, se é que lembrou deles e nada próximo dos ovos criados por H.R. Giger.. Se este roteiro já não basta para ser considerado lixoso com louvor, assista um pouquinho para ver as peripécias de uma moça com poderes paranormais ou as atitudes das pessoas nada condizentes com atitudes de pessoas normais e sadias.

Relembrando esta pérola que assisti há um tempo, um misto de indignação e risadas me vêm à mente pois me pergunto como alguém deixou (ou ajudou) esta obra ser concebida. Para se ter uma ideia, o cultuado diretor Michele Soavi, responsável por clássicos como O Pássaro Sangrento e Pelo Amor e Pela Morte participa deste filme atuando e uma das cenas mais emblemáticas onde, como um bom explorador que  é, em sua mochila não trás consigo materiais para a sua sobrevivência ou utensílios pertinentes à sua atividade, mas sim uma MÁQUINA DE ESCREVER PORTÁTIL PARA QUE, ESCREVA LÁ NO MEIO DA CAVERNA, NO ESCURO E TUDO MAIS.

Procurando aqui no subterrâneo minha dignidade depois desse filme

Procurando aqui no subterrâneo minha dignidade depois desse filme

Quer dizer, pra quê levar material de primeiro socorro, corda, comida, lanterna e qualquer outra coisa ÚTIL quando se pode datilografar algo à 200 metros abaixo do solo? Oportunidade única, certo? Tá certo que ele atuou neste filme antes de ser mais conhecido pela Itália e tudo mais, mas o que em sã consciência faz uma pessoa aceitar fazer parte de um projeto deste? Vai saber…

Dose é esta estranha mania italiana de querer faturar um dinheirinho em cima dos sucessos americanos,prática comum por lá, como por exemplo Uma Noite Alucinante, que na Itália saiu como La Casa 2 também obteve outras três “continuações” onde a partir do La Casa 3 a história já não tem mais nada a ver com o Ash e sua motosserra. O Despertar dos Mortos que na terra do spaghetti saiu como Zombi também obteve uma sequência esperta de Lucio Fulci chamada Zumbi 2 – A Volta dos Mortos , que também não tem nada a ver com o original do Romero. Ainda há inúmeros filmes com esta audácia italiana, mas eles pouco se importavam e faziam do mesmo jeito. Eita coragem!

Pense que até a Folha de São Paulo, na época, também foi tapeada pela fita onde publicara em seu caderno de cinema que a sequência lançada era real oficial, no dia seguinte corrigiu o equívoco e dois dias após a crítica impressa detonou o filme com a linda manchete “Um filme de horror, um horror de filme”. Provavelmente os donos dos cinemas também compraram gato por lebre e o pessoal que viu a película nem se fala. Uma das maiores trollagens da Itália para com a cidade da garoa, não?

Aliás, vale lembrar também que essa não é a única embusteira da Terra da Bota se aproveitando do sucesso de Alien, o Oitavo Passageiro. Luigi Cozzi, que tem em seu curriculum vitae a versão italiana de Star Wars, também nos brindou com o indecente Alien – O Monstro Assassino, também de 1980, usando o pseudônimo de Lewis Coates, e distribuído nos states pela Cannon Group, dos primos-picaretas mor, Golan e Globus. Oportunismo pouco é bobagem.

Fato é que Alien 2 é fajuto, safado, ordinário, sem vergonha e assumidamente ruim! Se você imaginava que já havia visto de tudo meu amigo, pense de novo! E se você gosta de obras peculiares, e podreiras com força, este é um prato cheio!

Não são pedras...

Não são pedras…


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

1 Comentário

  1. MATHEUS LEITE CARVALHO disse:

    Eu gosto desse filme.

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