TOPE NOVE – Melhores de 2017 por Daniel Rodriguez

O que dizer sobre este ano que se passou e já considero pacas? Ora, foi um ano maravilhoso para o cinema de horror!

Números de bilheteria históricos e incontestáveis; obras incríveis refletindo a condição humana e questões sociais com uma dose de maldade; filmes mainstream e alternativos caminhando lado a lado em âmbitos diferentes, sendo abraçados por público e crítica. Sem dúvidas um ano marcante, cujas implicações para o gênero serão vistas nos próximos anos.

Por um motivo prático, visando uma maior diversificação de listas, optei aqui por excluir do meu TOPE NOVE os seguintes filmes – todos eles fantásticos e, em outras condições, dignos do top 5: IT; Corra! e Fragmentado. Pela bilheteria e números de audiência fica claro que estes são os mais conhecidos do ano, presentes em praticamente todas as listas (por uma boa razão). No mais, dentro de um total de 42 filmes, aqui estão os nove melhores!  

9) The Limehouse Golem

A história de Jack, o Estripador tem povoado o imaginário popular desde seu surgimento. O poder da lenda é tão grande que ultrapassou os limites espaciais e temporais da Inglaterra Vitoriana, tornando-se comum até para nós brasileiros. The Limehouse Golem é um filme que se passa na mesma época, acompanhando a investigação de um assassino que segue os mesmos ensinamentos cruéis de Jack. A narrativa investigativa que aborda os crimes sob diversos aspectos é merecedora de uma posição disputada.

Textão de sangue

 

8) Veronica

Da dupla que nos brindou com REC, Paco Plaza talvez seja o que menos me agradou no desenrolar de sua carreira. Não obstante, seu Veronica arrebatou um posto de última hora nessa lista por méritos de sua direção. A trama segue a cartilha espiritual da corrente James Wan de horror; história real, tabuleiro ouija, seres maléficos, famílias em reféns de um mal profano e essas coisas rotineiras. Apesar de Plaza constantemente se colocar no lugar comum do gênero, em outros tantos momentos ele tem arroubos artísticos que resultam em cenas absolutamente brilhantes.

Uma ida ao dentista como imaginada por aqueles com fobia

7) Thelma

É um pouco difícil enquadrar Thelma no terror, apesar de ser claramente cinema fantástico e de gênero. Isso se dá pelas suas diversas peculiaridades, tanto de narração quanto estilo. No entanto, a proximidade com o filme seguinte dessa lista foi decisivo para apontá-lo como horror.  Thelma é uma jovem que sai de casa para viver a vida universitária e, no processo, se depara com sensações e percepções novas sobre si mesma.  

Lendo mais uma lista com The Void no meio

6) Raw

 

Sabe aquele filme que fez audiências pelo mundo desmaiarem e vomitarem? Aqui está ele, mas já lhes adianto que o produto vendido por aí é bem distante da realidade. As cenas mais escabrosas, que aparecem relativamente pouco, cumprem uma função muito mais ampla dentro de seu contexto do que apenas causar aquele choque característico do torture porn. Esteticamente maravilhoso, com nuances típicas do cinema francês, Raw é delicioso!

Hoje eu vou jogar bem na sua cara!

5) Personal Shopper

Abram alas que lá vem Kirsten Stewart, a mais nova melhor atriz de sua geração, reinventada e redescoberta sob o olhar atento e minucioso de Oliver Assayas, que faz um trabalho magistral nessa fita sobre uma garota cuja profissão é fazer compras para os famosos. Personal Shopper é um profundo estudo de personagem, perpassado por um terror bem espiritual.

Avisa lá, pode falar que eu cheguei

4) O Sacrifício do Cervo Sagrado

A obra de Yorgos Lanthimos é impossível de ser resumida ou propriamente descrita em apenas um parágrafo. É como se fosse composta de filmes-sonho, em que personagens e ações são sempre imersos em uma atmosfera onírica e profundamente perturbadora. O Sacrifício do Cervo Sagrado é um filme que se beneficiará de uma entrega completa ao seu desenrolar hipnótico. Torcer para realmente chegar aos cinemas brasileiros este ano.

Novo comercial anti-cigarros

3) Mãe!

Em uma época em que o cinemão reinventa anualmente o conceito de enlatado com suas produções intermináveis de qualidade duvidosa, é ao mesmo tempo assustador e previsível que um filme tipo Mãe! seja imediatamente rechaçado. Aronofsky conta de maneira completamente inusitada e extremamente provocante uma história que é muito familiar para aqueles que cresceram em um contexto cristão. E ele é muito bem sucedido nessa empreitada ousada. Não deixe conferir nosso artigando dissecando a obra

Aquela cara quando a galera senta na pia

2) The Devil’s Candy

A combinação horror e metal é absolutamente perfeita para quem, assim como eu, é fã incondicional das duas coisas. A simples existência The Devil’s Candy, “o docinho do Capeta”, revela que Sean Byrne compartilha desse gosto. O filme é muitíssimo bem executado e tem um esmero muito grande em criar seus personagens, além de apresentar uma manifestação maligna bem diferenciada e memorável.

The Devil’s Candy – O Docinho do Capeta

1) Ao Cair da Noite

Dentre os adjetivos comumente utilizados para se descrever um filme de terror, “atmosférico” deve ser um dos mais comuns. Ao Cair da Noite é um exemplo máximo do porquê disso acontecer. O longa de Trey Edward Shults é uma aula de como criar, desenvolver e sustentar uma atmosfera e um clima da mais pura tensão do começo ao fim, sem nunca revelar sua fonte.

O que será que a noite traz?

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Fã de horror em suas diferentes formas, principalmente cinematográfica. Incapaz de adentrar igrejas, pelo risco de combustão espontânea, dedica sua vida pagã a ensinar inglês, escrever sobre o gênero e, mais recentemente, fazer seus próprios filmes.

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