TOPE NOVE – Larry Cohen

No último dia 23 de março, um dos mestres do cinema bagaceira e orgulhosamente B, Larry Cohen, faleceu com seus 77 anos. Para quem curte o escracho assumido e as produções de baixo custo com altas doses de diversão, este TOPE NOVE reúne os melhores trabalhos em que o diretor/roteirista/produtor esteve envolvido. Aproveite o momento para rever ou descobrir as pérolas com a assinatura de  Cohen.


9) Q – A Serpente Alada (1982)

E se a deusa asteca Quetzalcoatl – ou Q para os íntimos – resolvesse atacar New York, o que você faria? Meio dragão, meio lagarto e meio cobra, esta bichona feita de massinha fez rir aterrorizou muita gente quando lançado, ainda incluindo célebres participações do classudo David Carradine e da figurinha carimbada, parceiraço de Cohen, Michael Moriarty.

Vem gato, vamos dar um passeio


8) A Ambulância (1990)

Eric Roberts, cartunista chatão de mullets, James Earl Jones com seu inseparável chicletinho – até na hora da morte – e a primeira aparição de Stan “The Man” Lee interpretando Stan Lee num filme, muito antes das produções da Marvel. Tudo isso para contar a história de uma ambulância que ao invés de salvar as pessoas, as rapta. Clássico divertidíssimo, com ótimas cenas de perseguição e trabalhos de dublês!

Vamos pra salinha, meu aprendiz.


7) Foi Deus Quem Mandou (1976)

O filme mais sério de Cohen, esta viagem psicodélica pelas ruas de New York trás à tona o fanatismo religioso, a loucura crescentes das pessoas e talvez algo muito maior que comande todos nós. Ótima crítica social ainda válida para os dias de hoje. E ah, se prestar atenção, ainda vê uma ponta do ainda desconhecido Andy Kaufman.

Glória a Deux!


6) O Retorno a Salem’s Lot (1987)

A grande maioria mais odeia do que ama esta continuação para o especial da TV de 1979, dirigido por Tobe Hooper. Michael Moriarty continua canastrão como sempre e aqui Cohen consegue dar seu toque peculiar a uma “continuação” beeem desnecessária, mas vale pra quem gosta das podreiras. E eu ainda me pergunto como o diretor Samuel Fuller (Cão Branco) topou entrar num projeto desse…

E morreu!


5) Maniac Cop – O Exterminador (1988)

A parceria William Lustig e Larry Cohen rendeu obras únicas ao longos dos anos como diretor e roteirista, respectivamente, e o primeiro fruto desta leva é o ótimo longa do policial brucutu-cara-quadrada a.k.a. Robert Z’dar botando mais pânico do que protegendo os cidadãos de bem. Vale lembrar do contexto histórico deste slasher onde a truculência policial era constante na maior parte dos EUA em época de tentativa de tolerância zero com o crime. Com participações de Tom Atkins (que em determinado momento é defenestrado, como um nada) e Bruce Campbell.

To doido pra te esbofetear


4) O Mensageiro da Morte (1996)

Repetindo a parceria Lustig e Cohen, este tapa na cara do patriotismo americano é um misto de comédia e crítica social pesadíssima às guerras e a pecha de bom moço dos yankees em defender o mundo dos malfeitores. Mesmo com todas as mortes bem elaboradas, o Tio Sam zumbi os acalma: “Não se preocupe, é apenas fogo amigo”.

Tio-zombie-Sam


3) Por um Fio (2002)

Pouquíssimas pessoas sabem, mas um dos clássicos da Tela de Sucessos é sim um roteiro original de Cohen baseado numa ideia que teve aos 19 anos e apresentada à Hitchcock na época. Pena que lá nos anos 60 eles não tiveram a ideia de incluir o elemento do sniper para que o filme se mantivesse inteiramente dentro de uma cabine telefônica… Imagina como seria esta dupla, ein?!

Crítica crítica por favoooooooor!


2) Nasce um Monstro (1974)

Sucesso da década de 70 que aterrorizou aquela e outras gerações vindouras. Depois que Lenore dá a luz à um bebê mutante que mata quando se assusta, seu papai Frank sai em busca com a polícia para matar sua cria. Usando da uma Los Angeles escura, Cohen mostra toda a podridão da cidade e com maestria usa as sombras à seu favor, contornando a falta de dinheiro para fazer algo mais caprichado. Grande clássico.

Não se engane, meus dentes de leite machucam


1) A Coisa (1985)

Ela é branca e deliciosa. E mata todas as bactérias (se fosse só isso, estaria ótimo!) dentro de você. A Coisa é a nova febre do verão! Obra-prima da trasheira sem nenhum pingo de seriedade! E digo mais: com Danny Aiello, Paul Sorvino e o canastra e chatão Michael Moriarty (de novo), o melhor do longa é o papel de Garret Morris, que dá a vida para incorporar o Chocolate Chip Charlie, arrebentando tudo por aí com seus golpes de kung-fu! Mas lá no fundo, há todo um contexto social sobre o consumismo e as práticas corporativas capitalistas. Um filme obrigatório para todo fã de cinema!

Que enxaqueca dos diabos… Acho que preciso de um docinho pra acalmar


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

1 Comentário

  1. Italo Lobo disse:

    sensacional, Larry Cohen vai deixar saudades.

    os dois primeiros colocados (que também seriam os meus, mas invertidos) mostram tudo que há de melhor na filmografia do mais subestimado dentre todos os nomes que surgiram na Nova Hollywood.

    a propósito, já viu o Special Effects?

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