TOPE NOVE – Melhores de 2017 por Rodrigo Ramos

Não é que os anos anteriores tenham sido ruins – aliás, poucos anos foram tão bons para o terror nos cinemas quanto 2016 -, mas 2017 apresentou nos cinemas uma rica variedade de filmes de terror. Do mais pipoca ao mais contemplativo, tal amplitude de espectro gerou até o polêmico termo “pós-horror”, que de pós não tem nada, e deu origem a filmes bastante interessantes que se destacaram em meio às continuações e reboots no ano que passou.

Então vamos relembrar o que de melhor chegou às telonas no horror durante o já longínquo ano de 2017, segundo eu mesmo!

9) Jogo Perigoso

Em tempos onde personagens femininas estão estourando nas bilheterias no comando de grandes blockbusters, e o machismo e abusos sexuais por trás das câmeras em Hollywood finalmente é exposto, Jogo Perigoso, baseado na obra de Stephen King, extrai o horror de um relacionamento abusivo. Construido de maneira angustiante com poucos cenários e personagens, o filme só não está mais acima na lista por seu epílogo totalmente anti-climático.

Aprenda: Não é legal quando só um está gostando.


8) It – A Coisa

Apesar da qualidade questionável do telefilme dos anos 90, muita gente torceu o nariz pra este remake de uma das mais aclamadas obras de Stephen King. Acertando nas medidas de horror e fantasia, It -A Coisa é um daqueles felizes, e raros, casos onde a refilmagem é melhor que o original. O CGI exagerado impede que o filme consiga uma posição melhor entre os nove.

Você quer um balão digital?


7) Ao Cair da Noite

Sutil, angustiante e vendido da maneira mais equivocada possível, Ao Cair da Noite é uma daquelas pequenas pérolas com as quais nos deparamos vez ou outra ao ir ao cinema sem ter a menor ideia do que estamos indo assistir. Os trailers e materiais de divulgação fizeram o favor de confundir a maioria do público que acabou saindo frustrado de um dos melhores filmes do ano.

Esse filme não é nada do que eu imaginava!


6) Fragmentado

Apesar do sucesso atingido no início do século, o cineasta M. Night Shyamalan vinha amargando um fracasso atrás do outro até que, recentemente, conseguiu agradar os fãs com o ótimo A Visita. Eis então que, em pleno 2017, o diretor indiano consegue emplacar um dos seus maiores sucessos com Fragmentado. James McAvoy dá um show à parte, mas o que deixou os fãs com água na boca, foi a cena final. Aquele aguardado plot twist já característico do diretor foi de explodir a cabeça!

Tantas personalidades me dão dor de cabeça.


5) A Dark Song

O ano de 2017 foi um ano bastante melancólico para o cinema de horror. Pelo menos isso gerou belos filmes como A Dark Song. Com um clima incrível, o filme fala sobre perda, vingança, rancor e, ao mesmo tempo, amor. Nunca um ritual místico foi apresentado de maneira tão detalhada e fascinante.

Está chovendo elogios!


4) Corra!

Num ano em que supremacistas brancos marcharam por uma pacata cidade mostrando a face do racismo histórico que os EUA tenta esconder, o sucesso de Corra! Foi mais do que pertinente. Há quem não tenha entendido nada e há quem finja não ter entendido, mas o recado foi dado. E muito bem!

Não se faça de desentendido. Racismo existe sim!


3) Raw

Um filme de terror sobre carne. Seja ela como alimento, sobre a qual o filme apresenta sua face vegetariana, e mais óbvia, seja sobre os excessos e os prazeres, no sentido figurado, de um geração sem limites na busca por preencher um vazio interior, apresentado aqui como a metafórica fome da personagem.

E essa fome que não passa?


2) A Ghost Story

Produzido durante uma pesada crise existencial do diretor, David Lowery, A Ghost Story pode até gerar algumas discussões sobre a sua classificação ou não como um filme de terror. Aé contém algumas cenas bem sinistras, como aquelas passadas no hospital, mas não há nada mais assustador do que a morte e o desconhecido depois dela. Melancólico, triste e belo, A Ghost Story foi dos melhores filme de horror do ano.

Ser um fantasma pode ser bem solitário…


1 ) Personal Shopper

Personal Shopper se utiliza das tradicionais histórias de fantasmas para fazer uma profunda análise da solidão, luto e, principalmente, identidade. Nada é supérfluo e tudo é milimetricamente posicionado neste filme soberbamente dirigido e atuado, onde Kirsten Stewart merece todos os elogios que arrebanhou. Um filme de terror diferente, sobre os horrores pessoais em nossa sociedade moderna.

Vendo aqui no 101HM quem ficou em primeiro no TOPE NOVE


Rodrigo Ramos
Rodrigo Ramos
Designer, roteirista da HQ Carniça, coautor dos livros Medo de Palhaço e Narrativas do Medo. Fã e pesquisador de quadrinhos e cinema de horror. Tem mais gibis em casa do que espaço pra guardar e tempo pra ler, mas quem nunca?

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