TOPE NOVE – Quadrinhos de Terror na CCXP 2018

A quinta edição da Comic Com Experience foi um marco para os quadrinhos nacionais de terror.

Maior não só em escala, mas em números, o Artist’s Alley da quinta edição da Comic Con Experience, que aconteceu entre os dias 6 a 9 de dezembro em São Paulo, reuniu mais de 540 artistas distribuídos em mais 350 mesas com o fino dos quadrinhos nacionais e internacionais.

Se não bastassem esses números impressionantes para cravar esta edição do evento como um marco para os quadrinhos nacionais, para o fã do horror, a CCXP foi ainda mais especial pela quantidade de lançamentos do gênero possíves  de encontrar espalhados pelo Artist’s Alley.

No “catadão” que publicamos na semana do evento (e que você pode conferir AQUI), listei mais de 35 mesas com títulos de horror.  Mas este número é bem maior, uma vez que não é possível encontrar informações sobre alguns na Internet e uma ou outra coisa pode ter ficado de fora do nosso listão.

Portanto, para facilitar a vida de quem não compareceu ao evento, ou não conseguiu pegar todos estes lançamentos incríveis por lá, organizei este TOPE NOVE com alguns dos melhores gibis de horror que adquiri por lá.

Os links para comprar os gibis estão nos títulos:

9 – Malassombro – O Rio das Carrancas, de André Balaio e Téo Pinheiro

Fascinado por nosso folclore que sou, não posso deixar de fora a nova edição de Malassombro da galera d’O Recife Assombrado. Aqui, a dupla formada por André Balaio (roteiros) e Téo Pinheiro (arte) reconta a história do Caboclo D’água, com toda aquela pegada regional que torna suas HQs ainda mais prazerosas de se ler. Ainda que aquém de seu trabalho lançado no evento do ano passado, A Maldição Circular, vale a pena acompanhar os futuros projetos d’O Recife Assombrado.

8 – Teatro do Pavor, de vários autores

Definitivamente, 2018 foi ano do folclore nacional nos quadrinhos. A estreante Skript Editora  chega ao mercado com uma antologia de horror só com histórias baseadas em criaturas e lendas do bestiário nacional. Ainda que uma ou outra HQ da coletânea esteja bem abaixo das demais, e uma das histórias também tenha sido lançada separada da antologia, o resultado é positivo e merece ser reconhecido para que a editora traga novos projetos como este no futuro.

7 – Gibi de Menininha, de várias autoras

Uma antologia de terror e putaria só com autoras nacionais! A ironia no título “Gibi de Menininha” já dá a entender que, mais do que uma coletânea de histórias em quadrinhos de horror e sexo, este projeto é um manifesto. Mas não espere nada panfletário, não. O negócio aqui é sangue, suor e sexo direto e reto. Já no aguardo do segundo volume, com novas autoras e mais espaço para as nossas quadrinistas.

6 – Catacumba – Fobia, de Kiko Garcia

Presente no Artist’s Alley desde a primeira CCXP lançando uma nova edição de sua série Catacumba a cada ano, Kiko Garcia segue mostrando a evolução de seu trabalho, conforme visto em seu recente O Homem da Capa Preta. Aqui temos quatro histórias explorando alguns dos medos mais comuns, que resgatam aquele estilo Kripta de se contar histórias de horror, mas com sua arte marcante e senso de humor particular. Quem comprou o gibi no evento sabe do que estou falando. 😉

5 – Vermilliön, de Bräo

Bräo usa sua arte acachapante para contar uma história forte inspirada pelas músicas Vermillion partes 1 e 2, da banda Slipknot. A HQ ainda conta com uma pitada de experiência pessoal que deixa tudo ainda mais impactante. A única ressalva é que um tema delicado como este possa servir como gatilho para alguns leitores e deve ser lido com cuidado.

4 – Helldang – Pandemônio, de Airton Marinho e Samuel Sajo

O caminhoneiro satanista Tião está de volta para tentar ajudar o membro de uma banda de rock possuído por um demônio durante um ritual para ganhar fama. Se isso não foi o suficiente para te vender Helldang – Pandemônio, da dupla Airton Marinho (roteiros) e Samuel Sajo (arte), você está morto por dentro! Uma das séries nacionais mais legais atualmente, com uma ótima arte e um senso de humor doentio. O problema é só ter um por ano.

3 – Vermelho, de Bruno Bispo e Victor Freundt

Uma das melhores duplas criativas dos quadrinhos nacionais, Bispo (roteiro) e Freundt (arte) trouxeram para a CCXP o gibi Vermelho, uma história de terror com camadas de crítica social, mais do que adequada para os tempos atuais. Roteiro e arte pesadíssimos que, infelizmente, foram prejudicados pela impressão, que apagou um pouco do brilho da arte incrível de Victor Freundt e a capa nada comercial.

2 – Revista Sinistra #1, de vários autores

Como o editor e idealizador do projeto, o roteirista Hector Lima, diz, o projeto é uma revista para tempos sombrios. Sinistra traz, além de matérias sobre o gênero, histórias de terror que se conectam diretamente aos tempos em que vivemos hoje. A coletânea traz ainda dois roteiros de Hector Lima publicados na Heavy Metal Magazine, editada por Grant Morrison lá fora.

1 – Delirium Tremens de Edgar Allan Poe, de vários autores

Depois de mudar o cenário nacional de quadrinhos de terror com a “trilogia das cores” composta por O Rei Amarelo em Quadrinhos, O Despertar de Cthulhu em Quadrinhos e Demônios da Goetia em Quadrinhos, Raphael Fernandes, editor da Draco, reúne desta vez um time de primeira para contar histórias em quadrinhos inspiradas no universo de Edgar Allan Poe neste primeiro número da coleção “Autores Malditos”. Impressionante como, mesmo com o nível lá em cima, estabelecida pelas antologias anteriores da editora, a Draco consegue ir além a cada nova empreitada.

Em meio a tantos quadrinhos incríveis, alguma coisa sempre fica de fora. Concorda com nossa lista? Deixa aí nos comentários o seu gibi de terror preferido da CCXP 2018!


Rodrigo Ramos
Rodrigo Ramos
Designer, roteirista da HQ Carniça, coautor dos livros Medo de Palhaço e Narrativas do Medo. Fã e pesquisador de quadrinhos e cinema de horror. Tem mais gibis em casa do que espaço pra guardar e tempo pra ler, mas quem nunca?

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