TOPE NOVE – Terror no Oscar

Chegou a noite mais aguardada pelos apreciadores da sétima arte. A premiação do Oscar!

Para os fãs do horror e fantástico, o evento este ano possui um sabor especial. Dois filmes assumidamente do gênero estão concorrendo pela estatueta de Melhor Filme: o celebrado e pertinente Corra!, de Jordan Peele, e a fábula A Forma da Água, de Guillermo Del Toro. Este último concorrendo como grande favorito em diversos bolões por aí com 13 indicações.

Para celebrar com muito glamour o tapete vermelho sangue, o 101 Horror Movies preparou uma lista com nove filmes de horror que já ganharam ao Oscar.Vista seu traje de gala e descubra nove vezes em que a Academia esqueceu o preconceito e reconheceu o gênero fantástico em sua maior festa.


9) O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1931)

Vamos começar a nossa lista com o primeiro deles. A adaptação para as telonas do clássico de Robert Louis Stevenson, sobre um homem que descobre como liberar seu lado animal e tem de enfrentar as consequências de sua descoberta. O filme de Rouben Mamoulian foi indicado para as categorias de Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator, cabendo à magistral interpretação de Fredric March, nos papéis do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, garantir a estatueta para este clássico.

Qual das duas personalidades vai ficar com o prêmio?


8) Tubarão (Jaws, 1975)

Continuando a nossa lista, uma das maiores injustiças do Oscar! Em 1975, Steven Spielberg lançou um dos maiores filmes de horror de todos os tempos. Quebrando paradigmas e definindo o gênero dos animais monstruosos para as décadas seguintes, Tubarão se tornou um clássico indiscutível até para aqueles que não possuem o terror entre seus gêneros preferidos. A Academia reconheceu as qualidades do filme, indicando para as categorias Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Filme. Tubarão acabou levando todas as suas indicações, menos o maior prêmio da noite, que naquele ano ficou com Um Estranho no Ninho.

Vamos precisar de uma prateleira maior!


7) Drácula de Bram Stoker (Bram Stoker’s Dracula, 1992)

Tecnicamente impecável a adaptação “definitiva” do clássico romance Drácula, dirigida por Francis Ford Coppola, romantizou demais algumas passagens e perdeu um pouco da força aterradora do livro original de Bram Stoker. O filme ficou de fora das grandes categorias, mas foi indicado a Melhor Figurino, Melhor Edição de Som, Melhor Maquiagem e Melhor Direção de Arte, perdendo apenas nesta última. Em um ano cheio de grandes filmes na premiação, Drácula de Bram Stoker realmente não tinha chances, mas novamente a necessidade de se criar cenários e criaturas fantásticas deram ao cinema de horror mais um reconhecimento técnico.

Ah! O sabor do sangue das invejosas…


6) Louca Obsessão (Misery, 1990)

Baseado no romance de Stephen King sobre uma fã que sequestra seu escritor preferido, Louca Obsessão, de Rob Reiner, nos trouxe uma das maiores vilãs do cinema de horror de todos os tempos. Kathy Bates se entregou de corpo e alma na interpretação da assustadora Annie Wilkes e, por isso mesmo, levou o prêmio de Melhor Atriz.

Esse prêmio vai ser meu, ou não?


 5) A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (Sleepy Hollow, 1999)

Um dos melhores filmes de Tim Burton, a adaptação para as telonas do conto de Washington Irving, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça trouxe de volta ao cinema aquele clima classudo da Hammer em uma megaprodução hollywoodiana. O filme foi indicado às categorias de Melhor Fotografia, Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte, levando apenas este último. Mas já serviu para levar mais pessoas ao cinema para assistirem um filme genuinamente de horror que não só atualizava alguns conceitos e histórias, mas prestava uma deliciosa homenagem ao gênero.

Analisando aqui os prêmios que podemos ganhar…


4) Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, 1981)

Sem dúvida alguma, a melhor transformação lincatrópica da história do cinema foi o excelente trabalho de Rick Baker em Um Lobisomem Americano em Londres, dirigido por John Landis. O maquiador, usando apenas efeitos práticos e prostéticos, conseguiu levar para a casa a estatueta de Melhor Maquiagem. E pensar que hoje em dia dão esse prêmio para uma Arlequina de make borrada e um Coringa MC Guimé…

Esquadrão Suicida ganhou o mesmo prêmio que eu. Aí eu fico fera!


3) Cisne Negro (Black Swan, 2010)

Mais um grande filme de horror, apesar de alguns discordarem, a concorrer às principais categorias do Oscar, Cisne Negro, o terror psicológico de Darren Aronofsky, acabou levando apenas o Oscar de Melhor Atriz para Natalie Portman, voltando para casa sem as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Edição. Aronofsky acabou voltando o horror recentemente com o elogiadíssimo, Mãe!, que mesmo indicado e premiado em diversos festivais ao redor do mundo, acabou ficando de fora da premiação do Oscar este ano.

Eu agradeço à academia…

 


2) O Exorcista (The Exorcist, 1973)

Não é à toa que O Exorcista, de Willian Friedkin, é considerado por muitos o melhor filme de terror de todos os tempos. Além de assustar gerações e gerações de telespectadores  que ainda se impressionam com sua história e iconografia poderosas, mais de quarenta anos depois, o filme foi o único representante genuíno do horror a ser indicado a dez das vinte e quatro categorias do Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Edição. No final, a equipe  acabou vencendo apenas como Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Mixagem de Som.

Peraí! Você disse dez categorias!?


1) O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, 1991)

Poucos filmes na história do Oscar ganharam os cinco principais prêmios da noite: Melhor Filme, Diretor, Roteiro, Ator e Atriz. E não é que bem um filme de terror já conseguiu essa façanha? Pois é, O Silêncio dos Inocentes, hã, devorou os Academy Awards do ano em que concorreu, com o diretor Jonathan Demme, o roteirista Ted Tally, Jodie Foster e Anthony Hopkins levando os carecas dourados de baciada para casa. Sem contar que ainda foi indicado por Melhor Som e Edição.

Um bom prato pra noite do Oscar? Fígado com favas de feijão e um bom Chianti


Rodrigo Ramos
Rodrigo Ramos
Designer, roteirista da HQ Carniça, coautor dos livros Medo de Palhaço e Narrativas do Medo. Fã e pesquisador de quadrinhos e cinema de horror. Tem mais gibis em casa do que espaço pra guardar e tempo pra ler, mas quem nunca?

4 Comentários

  1. João Paulo disse:

    Sei que é “Tope Nove”, mas eu tiraria “Drácula” (acho bem chato e não o vejo como um representante do terror) e colocaria meu amadinho “O bebê de Rosemary” com seu Oscar de melhor atriz coadjuvante para a divertidissima Ruth Gordon!

    Abraço!

    • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos disse:

      Opa! Como não? Tem aquela cena maravilhosa do Drácula meio morcego, ele meio lobo fazendo sexo com a Lucy no meio da noite, as vampiras do Drácula andando pelas paredes, o jogo de luz e sombra logo no começo… Tem tanta coisa boa ali… O filme é meio mela-cueca mesmo, encaixando uns romancezinhos que não estão na obra original (pelo menos não tão destacado), mas é um baita filme de terror!

  2. elSuperHincha disse:

    Snoopy (Peanuts) e outras opções nas telonas

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