Uma névoa de dúvidas encobre o piloto de The Mist

O primeiro episódio da série baseada no conto de Stephen King  é morno e não chega a empolgar como deveria


A série The Mist, mais uma adaptação do conto homônimo de Stephen King, estreou nesta última quinta-feira, 22, no canal americano Spike. Como todo fã do autor, eu estava positiva em relação a essa série – já que a versão cinematográfica do conto, O Nevoeiro é, de longe, uma das melhores adaptações levadas para as telonas.

 

Frank Darabont, no entanto, acertou ao focar no clima claustrofóbico e pesado em seu longa, lançado já faz dez anos. Ao mesmo tempo, sabemos como já é difícil levar o roteiro de um livro para o cinema. Das centenas de adaptações das histórias do ganhador do Troféu Golden, pouquíssimas conseguiram ser realmente boas. Se formos analisar os casos em que as histórias viram seriados, então, as chances de dar errado são ainda maiores. Depois do fiasco de Under The Dome, que foi cancelada abruptamente mas deixou aquela sensação de “foi tarde!”, então achei melhor fincar os dois pés no chão e assistir ao primeiro episódio sem altas expectativas.

 

O piloto começa mostrando os dramas pessoais de alguns moradores de Bridgton, uma pequena cidadezinha no estado do Maine, obviamente. Um soldado (Okezie Morro) desperta em uma floresta, aparentemente sem se lembrar de quem é ou de como chegou até ali, tendo em sua companhia apenas um cachorro. Ao observar um denso nevoeiro de aproximando, o previsível acontece: o pobre catioro é massacrado (parem de matar cães em filmes e séries, plmdds), e o soldado então parte para a cidade, desesperado, tentando alertar os moradores do perigo que está por vir.

Encosta sua cabecinha no meu ombro e chora… ♫

 

A família Copeland também está vivendo seu próprio pesadelo pessoal. Depois de ir a uma festa, a filha adolescente Alex (Gus Birney), foi dopada e abusada sexualmente. Isso, somando com o fato da mãe, Eve (Alyssa Sutherland, a rainha Aslaug de Vikings) ter sido recentemente demitida de seu emprego de professora após gerar um mal estar nos pais de seus alunos ao lecionar educação sexual para jovens, causa um pequeno colapso em seu casamento com Kevin (Morgan Spector).

 

Paralelo a esses, e outros acontecimentos que vão nos apresentando aos demais moradores da cidade, eis que o esperado acontece:o nevoeiro chega e o episódio se encerra, mostrando alguns desses moradores presos em determinados lugares e ainda sem entender o que raios está acontecendo. É claro que já temos algumas mortes nesse piloto, como a de um policial atacado por baratas que chegaram junto com a névoa, o que já nos dá uma prévia do que está acontecendo.

 

Se bem que para quem já leu o conto ou viu o filme, não há muitas surpresas. Aparentemente, um experimento militar ocasionou uma abertura entre mundos distintos, e dessa fenda aparecerão seres primitivos que causarão a destruição humana. Não vou ser a chata que sempre diz que o conto é melhor que o filme (apesar de eu ser essa chata com frequência), nesse caso em específico eles se equiparam em questão de qualidade, cada um seu âmbito.

 

Por exemplo, King trabalhou muito mais na construção do suspense, em contrapartida, Darabont acertou em seu final pessimista, diferente da conclusão em aberto que King nos deixou na versão escrita. São mídias diferentes mas que, no final das contas, se complementam. Em contrapartida, a série parece estar alheia a esses exemplos.

 

Apesar de bem dirigido por Adam Bernstein, e conter nomes de peso no elenco, como Frances Conroy (de American Horror Story) o primeiro episódio é morno e não chega a empolgar como deveria. O uso horrendo de CGI e os personagens e situações batidas podem ser um banho de água fria, apesar de ainda ser cedo para tirar conclusões. Talvez ao longo dos próximos nove episódios a trama se desenrole com maior facilidade e mostre de fato a que veio.

 

Só nos resta acompanhar para saber se a série vai alcançar lugar cativo no hall da fama, assim como o filme e o conto, ou se vai ser mais um daqueles fiascos televisivos que desaparecem da nossa mente, como uma névoa.

Acho que errei de série, essa não é AHS?


Niia Silveira
Niia Silveira
Mentalidade de Jack Torrance num corpinho de Annie Wilkes. Foi criada em locadoras e bibliotecas e se apegou ao universo do horror ainda pequena. Não cresceu muito em estatura de lá pra cá, mas sua paixão por sangue e desgraça aumenta a cada dia.

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