Bates Motel: Mim acher, Psicose

Depois de quatro temporadas sem brilho, finalmente a série começa a ficar interessante de verdade nesta volta com o Norman Bates que estávamos esperando


Demorou 40 episódios dentro de quatro temporadas das bem meia-boca para finalmente Bates Motel ficar interessante. Sem sombra de dúvida, o S05E01, que estreou no começo da semana no A&E gringo, é o melhor episódio da série toda e traz o relance de um promissor futuro pela frente nessa que é a temporada de despedida das desventuras do jovem Norman Bates em seu caminho para se tornar o psicopata que conhecemos.

Isso porque cá entre nós, desde que fora anunciada, o que sempre quisemos ver foi o Norman Bates raiz, e não o Nutella, finalmente dar as caras. Durante todo esse tempo, a construção do personagem foi bem feita em alguns momentos e frouxas em tantos outros, e abusando de fórmulas repetidas, tudo repleto de histórias paralelas completamente desnecessárias (principalmente do tráfico de maconha), um roteiro frágil com situações previsíveis que quase sempre acabavam da mesma forma, com personagens secundários que na real nem precisavam existir (o irmão Dylan, a crush Bradley, o irmão/tio/pai Caleb, o hipster da montanha Chick, e até o Xerife Romero que foi indo ladeira abaixo próximo ao final) e por aí vai…

O que salvava ali mesmo era a ótima atuação de Freddie Highmore (principalmente ao emular os trejeitos de Anthony Perkins) e sua relação passivo-agressiva doentia com a mãe (Vera Farmiga também sensacional!) e mantinha o espectador fã de Psicose de Hitchcock ou do livro de Robert Bloch era saber que em algum momento, Norman mataria a progenitora (como aconteceu no final da quarta temporada, de uma forma bem frustrante) e o personagem perturbado tal qual conhecemos estaria pronto. Pois bem, esse momento, depois de muita paciência, parece ter chegado.

Darkness Paradise” é um episódio em que vemos ali o fio condutor de Psicose sendo construído, após todo esse prelúdio mela cueca voltado para o público adolescente e young adults, com Norman finalmente surtado ao extremo, com Highmore brilhando, tendo altos papos com sua mãe morta, que só existe em sua cabeça (e o corpo empalhado no porão) e com Farmiga dando, hã, vida, a uma personagem muito mais cínica, manipuladora e dominadora, algo que ela realmente abraçava nas duas primeiras temporadas, mas depois acabou assumindo um errôneo papel de vítima, deixando de lado quase que por completa sua personalidade abusiva.

Separando aqui um papel pra pegar o autógrafo da Rihanna

Separando aqui um papel pra pegar o autógrafo da Rihanna

Além disso logo nesse primeiro episódio nos é apresentada a dona da nova loja de ferragens de White Pine Bay, Madeleine Loomis. E aí ligou o sobrenome a um certo amante de uma certa Marion Crane? E tem essa, sabemos que ela irá dar as caras nessa temporada, interpretada por Rihanna (sim, lide com isso…). Fora que Norman recentemente trocou as cortinas dos chuveiros do motel, começou a comer balinhas e seu voyeurismo está a todo vapor, espiando o buraco criado na parede do quarto adjacente ao seu escritório enquanto se masturba (pego no flagra por uma ligação da mãe).

Mas nem tudo são flores também nessa retorno de Bates Motel. Passaram-se dois anos desde os acontecimentos que encerraram a temporada anterior, e os buracos no roteiro continuam do tamanho de crateras lunares, como, por exemplo, o fato de Dylan e Emma terem um bebê e ele NUNCA MAIS tentar falar com a mãe e o irmão, só porque Norman disse para nunca mais procurá-los – e sabendo do histórico psiquiátrico – fora algumas situações das mais absurdas de se engolir (um sujeito com uma arma apontada para Norman ser subjugado pelo rapaz com um estilete, ou Romero putinho e vingativo conseguir fazer uma ligação tarde da noite na prisão para um celular) que fazem o episódio, mesmo que um degrau acima, padecer de todos os mesmos problemas preguiçosos que ocorreram durante a série toda.

Mas em sua defesa, desde o episódio piloto, nenhum outro me deixou tão interessado em assistir ao desenrolar da temporada quanto esse, então espero que os roteiristas construam um fechamento decente e sem descolar tanto do material original, tipo como acontece na segunda metade da terceira temporada de Hannibal ao introduzir a Fada dos Dentes.

Agora, se você nunca assistiu Bates Motel, sempre teve um pé atrás, mas é fã da seminal obra de Hitchcock, veja apenas a partir desse S05E01, mesmo que não entenda um monte de coisa, mas que na real, não trazem absolutamente nada de interessante ou que seja imperdível. Será o momento em que a série encontrará o filme, claro que em uma nova roupagem, e mostrará o que há de melhor na relação doentia entre mãe e filho, com Highmore e Farmiga no auge de seus personagens.

E só aguardar (e torcer por) uma famosa cena do chuveiro acontecer…

Tal mãe, tal filho

Tal mãe, tal filho


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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