Review 2019: #04 – A Sereia: Lago dos Mortos

Filme de sereia sem sereia, é golpe!


Há dois anos fiz uma análise do filme russo A Noiva, na qual relatei minha experiência pouco memorável com essa versão soviética dos clichês americanos. Agora, retorno com uma crítica do mais novo filme do mesmo diretor, Svyatoslav Podgaevskiy. Ao que tudo indica, o cara é uma lenda lá na Rússia. O cineasta produziu quase que um filme por ano desde 2014, todos eles de terror com essa pegada de jumpscare e faz um baita sucesso por aquelas bandas.

A trama de A Sereia: Lago dos Mortos gira em torno de Kitaev, um nadador profissional que, às vésperas de se casar, recebe de seu pai as chaves da antiga casa de campo da família. Kitaev resolve passar uma noite no local, junto de seus amigos, numa espécie de despedida de solteiro. Durante a noite, ele resolve dar um mergulho no lago próximo à casa e acaba sendo enfeitiçado pela “sereia”.

Por um momento pensei em apontar o título como um erro. Tanto aqui no Brasil quanto nos Estados Unidos, adotaram esse título de “A Sereia”. Acontece que a criatura do filme não é uma sereia, e sim uma Rusalka. Essa figura mitológica eslava está mais para um fantasma que um híbrido entre mulher e peixe.

Conta-se que as Rusalkas são os espíritos malignos e vingativos de mulheres que cometeram suicídio por afogamento após alguma tragédia marital – fim do casamento ou abusos, por exemplo. A morta assombra o local de sua morte e atraí homens incautos com sua voz e sua beleza. Hipnotizados, estes saltam para dentro d’água, onde morrem afogados.

O maior motivo pelo qual me vi atraído pelo filme de Podgaevskiy foi a perspectiva de ver uma sereia maléfica, após a gigantesca decepção que tive com o polonês A Atração. Senti-me bem frustrado ao me deparar com um simples fantasma numa obra intitulada A Sereia: Lago dos Mortos. Tendo consciência de que a criatura é outra, até entendo a necessidade de “transformar” a Rusalka em um monstro que seja familiar aqui no nosso lado do oceano.

Dito isso, tenho pouco para exaltar nessa fita. A subtrama envolvendo natação foi surpreendentemente inovadora numa fita do tipo e é possível perceber que existe uma produção decente, assim como nos outros trabalhos do cineasta. Apesar da Rusalka nos ser pouco familiar, ela é representada exatamente como qualquer outro fantasma vingativo que já nos é tão comum.

As aparições nadam de braçada no cliché e os jumpscares se destacam de tão irritantes. Isso graças ao som estridente que a criatura faz. Na sessão vazia em que assisti ao filme, os barulhos pareciam reverberar com ainda mais intensidade que o normal, me forçando a tapar os ouvidos na iminência de um susto, para preservar minha audição.

Creio que os russos gostam bastante disso, assim como sei que muitos brasileiros são chegados num susto fácil, logo, existe um público que poderá aproveitar mais essa experiência. Outra peculiaridade que deve agradar essa turma é a sexualização absurda da protagonista Marina (Viktoriya Agalakova), que também estrelou A Noiva. Apesar de apresentar elementos narrativos interessantes, Podgaevskiy abusa dos closes na bunda, pernas e barriga da beldade russa, constantemente apelando para esse lado sexual gratuitamente.

E pra não dizerem que eu não avisei, tudo indica que as cópias que chegaram por aqui são com dublagem em inglês, o mesmo que aconteceu com A Noiva. Já é um ponto negativo por tabela. Mesmo que desgostoso de tudo que já vi do diretor russo, estou curioso para ver seu trabalho, que será baseado na lenda da Baba Yaga.

2 fios de cabelo para A Sereia: Lago dos Mortos

Sabe o que o homem disse pra sereia? Nada demais. 

 


Daniel Rodriguez
Daniel Rodriguez
Formado em psicologia, professor, futuro roteirista e fã incondicional do terror, tanto no cinema, quanto na TV, literatura e quadrinhos. Mais que estudar o gênero, quer ser um historiador do horror para sua geração e futuras. E ao contrário do estereótipo do mineiro quieto, adora alimentar uma treta.

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